As cantigas de amigo
são escritas em primeira pessoa e, geralmente, são apresentadas em forma de diálogo. Isso resulta em um trabalho formal mais apurado em relação às cantigas de amor.
Essas cantigas são a expressão do sentimento feminino. Nesse contexto, a mulher sofre por se ver separada do amigo (que também pode ser o amante ou o namorado).
Ela vive angustiada por não saber se o amigo voltará ou não, ou ainda, se a trocará por outra.
Esse sofrimento é, em geral, denunciado a um amigo que serve de confidente. Os demais personagens que compartilham o sofrimento da mulher são, a mãe, o amigo ou mesmo um elemento da natureza que aparece personificado.
Exemplo
Cantiga da amigo de D. Dinis
"Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado!
ai Deus, e u é?"
Cantiga de Escárnio e Maldizer
As cantigas de escárnio são cantigas que apresentavam, em geral, uma crítica indireta e irônica. Portanto, nesse tipo de composição, podemos encontrar expressões ambíguas, ou seja, com duplo sentido.
Já as cantigas de maldizer, são canções cuja estrutura comporta críticas mais diretas e grosseiras. Nela, são usadas termos de baixo calão, como palavrões, pois o intuito é mesmo agredir alguém verbalmente.
Exemplo
Cantiga de Escárnio de João Garcia de Guilhade
"Ai dona fea! Foste-vos queixar
Que vos nunca louv'en meu trobar
Mais ora quero fazer un cantar
En que vos loarei toda via;
E vedes como vos quero loar:
Dona fea, velha e sandia!
Ai dona fea! Se Deus mi pardon!
E pois havedes tan gran coraçon
Que vos eu loe en esta razon,
Vos quero já loar toda via;
E vedes qual será a loaçon:
Dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
En meu trobar, pero muito trobei;
Mais ora já en bom cantar farei
En que vos loarei toda via;
E direi-vos como vos loarei:
Dona fea, velha e sandia!"
Entenda mais sobre a Sátirae o Sarcasmo e a Ironia.
Trovadorismo
O Trovadorismo, também chamado de Primeira Época Medieval, é o período que se estende de 1189 (ou 1198) até 1434.
Em Portugal, esse movimento literário tem início com a Canção Ribeirinha, escrita por Paio Soares de Taveirós. Ele termina com a nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista da Torre do Tombo.
A cultura trovadoresca, surgida entre os séculos XI e XII, reflete bem o momento histórico que caracteriza o período. Nele, temos a Europa cristã e a organização das Cruzadas em direção ao Oriente.
Na Península Ibérica destacam-se:
a luta contra os mouros;
o período descentralizado e as relações entre os nobres determinados pelo feudalismo (a vassalagem);
O poder espiritual nas mãos do clero católico, detentor da cultura e responsável pelo pensamento teocêntrico (Deus como o centro de todas as coisas).
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